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Estudantes da UESPI promovem educação financeira e cidadania para idosos por meio do teatro

Por Equipe Amo Crédito ·

Projeto da UESPI leva educação financeira a idosos por meio do Teatro Fórum, unindo contabilidade, cidadania e arte em ação inovadora.

Estudantes da UESPI promovem educação financeira e cidadania para idosos por meio do teatro

Transformar o conhecimento contábil em algo acessível, lúdico e socialmente relevante é o propósito de um projeto inovador desenvolvido por estudantes da Universidade Estadual do Piauí (UESPI). Por meio do teatro, os universitários estão levando temas como finanças, direitos e cidadania a um público frequentemente esquecido nas iniciativas de educação financeira: os idosos. Intitulada "Educação Financeira para Idosos: Vozes em Cena", a peça foi apresentada na Universidade Aberta à Terceira Idade (Unati), espaço vinculado à UESPI dedicado à inclusão e à valorização do envelhecimento ativo, e já projeta uma agenda de novas apresentações em outras instituições.

Uma proposta que alia arte, educação e cidadania

A iniciativa foi idealizada por Guilherme Almeida, estudante do curso de Ciências Contábeis, sob orientação do professor Dr. Josimar Alcântara. O projeto integra a disciplina Atividade Curricular de Extensão (ACE) e representa uma ação concreta de aproximação entre universidade e comunidade, mostrando que conteúdos tradicionalmente técnicos, como orçamento pessoal e direitos previdenciários, podem ser comunicados de forma acessível sem perder rigor. Inspirado nas técnicas do Teatro do Oprimido, desenvolvido pelo dramaturgo brasileiro Augusto Boal, o grupo universitário criou um espetáculo no formato Teatro Fórum, no qual o público é convidado a interagir diretamente com os atores, sugerindo caminhos e soluções para os conflitos encenados.

Teatro Fórum: escuta ativa e transformação coletiva

Na peça, os estudantes dramatizam histórias baseadas em situações reais enfrentadas por idosos, como golpes financeiros, dificuldades para acessar direitos previdenciários e dúvidas sobre aposentadoria. Em vez de apenas assistir, o público pode intervir, opinar e até subir ao palco para reinterpretar as cenas com novas abordagens. "Queremos que os idosos se reconheçam nas cenas e percebam que têm voz ativa para mudar suas próprias realidades. O teatro é uma ferramenta poderosa de empoderamento", afirma Guilherme Almeida, que também dirige o espetáculo.

Por que a educação financeira de idosos é urgente

Idosos estão entre os grupos mais visados por golpes financeiros no Brasil, seja por telefone, mensagem ou abordagem presencial, muitas vezes explorando a confiança e a menor familiaridade dessa faixa etária com tecnologias digitais recentes. Entender como funciona um empréstimo consignado descontado direto do benefício do INSS, reconhecer uma ligação fraudulenta que se passa por banco e saber a quem recorrer em caso de cobrança indevida são conhecimentos práticos que reduzem diretamente a vulnerabilidade desse público. Iniciativas como a da UESPI preenchem uma lacuna que campanhas institucionais tradicionais, mais formais e menos interativas, muitas vezes não conseguem alcançar com a mesma proximidade.

Desenvolvimento de habilidades além da sala de aula

Para os estudantes, a experiência vai além da atuação. O projeto envolve oficinas de improvisação, escuta ativa e expressão corporal, com base na pedagogia de Boal. Além disso, estimula a sensibilidade social dos futuros contadores, que aprendem a comunicar conteúdos técnicos de forma clara e humanizada. "O projeto desafia o modelo tradicional de ensino ao propor uma nova linguagem para a contabilidade. Estamos ensinando sem usar planilhas, e isso está nos transformando também como profissionais e cidadãos", destaca Guilherme.

Interdisciplinaridade e impacto social

A proposta interdisciplinar também envolve parcerias com instituições que atuam com a terceira idade, promovendo trocas entre gerações e criando espaços seguros para que os idosos compartilhem suas vivências. A construção das cenas parte de relatos reais, garantindo representatividade e pertinência nos temas abordados. O professor Josimar Alcântara ressalta que o projeto contribui para a formação de uma consciência crítica nos alunos. "É fundamental que o universitário compreenda seu papel social. A contabilidade não deve estar restrita ao mundo empresarial. Ela também pode ser uma ferramenta de transformação e inclusão", afirma.

Combate à exclusão financeira e valorização da cidadania

Num país onde boa parte da população idosa ainda enfrenta dificuldades para compreender temas financeiros básicos, projetos como este desempenham um papel crucial na promoção da educação financeira. Além disso, fortalecem a autoestima dos idosos, reconhecendo-os como sujeitos ativos e detentores de direitos. "O acesso à informação é uma forma de autonomia. Quando um idoso entende sua aposentadoria, seus direitos como consumidor ou como contribuinte, ele passa a ter mais segurança em suas decisões", completa Guilherme.

Próximos passos e expansão da iniciativa

Após a estreia, o grupo pretende levar a peça para outras instituições de apoio à terceira idade, comunidades e eventos sociais. A meta é ampliar o alcance do projeto e estimular novas ações de extensão universitária com linguagem acessível e foco na inclusão. "Queremos inspirar outros estudantes e professores a adotarem métodos criativos para dialogar com a sociedade. A educação pode ser feita com arte, empatia e escuta. E o teatro é uma ponte potente entre o saber acadêmico e o saber popular", finaliza o diretor do projeto.

Como outras instituições podem replicar iniciativas parecidas

Projetos de extensão baseados em teatro-fórum não exigem grande estrutura para começar: um grupo pequeno de estudantes, um professor orientador disposto a validar o conteúdo técnico das cenas e um espaço comunitário parceiro, como um centro de convivência para idosos ou uma associação de bairro, já são suficientes para uma primeira apresentação piloto. O diferencial está na etapa de escuta prévia, coletando relatos reais do público-alvo antes de escrever o roteiro, o que garante que os temas encenados realmente correspondam às dúvidas e dificuldades vividas pela plateia, em vez de partir de suposições genéricas sobre o que os idosos precisariam aprender.

O papel da extensão universitária na formação profissional

Atividades de extensão como essa cumprem uma função dupla dentro da universidade: ao mesmo tempo em que levam conhecimento técnico para fora dos muros acadêmicos, elas moldam a formação dos próprios estudantes envolvidos, que passam a enxergar sua futura profissão como algo com responsabilidade social direta, e não apenas como uma atividade técnica isolada do contexto em que é exercida. Para cursos como Ciências Contábeis, tradicionalmente associados a planilhas e legislação tributária, essa dimensão humana da profissão costuma ficar em segundo plano na grade curricular obrigatória, o que torna iniciativas voluntárias como esta ainda mais relevantes na formação integral do futuro contador.

Golpes financeiros contra idosos: o que a peça retrata

Entre as situações encenadas estão golpes comuns contra a população idosa, como ligações falsas se passando por bancos pedindo confirmação de dados, propostas de empréstimo consignado com condições enganosas oferecidas porta a porta, e a pressão de familiares ou desconhecidos para assinar documentos financeiros sem entender completamente o conteúdo. Ao dramatizar esses cenários e permitir que a plateia intervenha propondo reações diferentes, a peça funciona como um treino prático de tomada de decisão, mais eficaz do que uma simples palestra informativa sobre os mesmos riscos.

Repercussão entre o público da Unati

Participantes da Universidade Aberta à Terceira Idade relataram que a possibilidade de interromper a cena e sugerir uma resposta diferente do personagem tornou o aprendizado mais concreto do que uma palestra tradicional sobre finanças, já que cada intervenção do público gerava uma discussão coletiva imediata sobre o que funcionaria ou não na vida real. Esse formato participativo também reduz a timidez natural que muitos idosos sentem em admitir dúvidas financeiras publicamente, já que a pergunta surge disfarçada de sugestão de roteiro para a cena, e não como uma confissão de desconhecimento pessoal.

O legado de Augusto Boal na educação popular brasileira

O Teatro do Oprimido, criado por Augusto Boal na década de 1970 como resposta ao contexto político da época, nasceu com o propósito de devolver ao espectador o poder de agir sobre a própria realidade, rompendo com a lógica tradicional em que o público apenas assiste passivamente à história de outra pessoa. Décadas depois, a metodologia segue sendo usada em contextos completamente diferentes daquele em que surgiu, da educação financeira à prevenção de violência doméstica, justamente porque sua estrutura, ensaiar coletivamente soluções para um problema antes de enfrentá-lo na vida real, é aplicável a praticamente qualquer tema que envolva tomada de decisão sob pressão ou vulnerabilidade.

Perguntas frequentes sobre o projeto

A peça é aberta ao público em geral ou só para alunos da Unati? As apresentações iniciais aconteceram dentro da programação da Unati, mas o grupo já planeja levar o espetáculo a outras instituições e espaços comunitários abertos à comunidade em geral. É necessário conhecimento prévio de contabilidade para entender a peça? Não: a linguagem foi construída propositalmente de forma acessível, sem jargões técnicos, já que o público-alvo principal são pessoas sem formação na área. Como as escolas e universidades podem convidar o grupo para uma apresentação? O contato costuma ser feito diretamente pela coordenação de extensão da UESPI, responsável por organizar a agenda de apresentações externas do projeto.

Por que iniciativas de extensão como esta merecem mais visibilidade

Grande parte da cobertura de notícias sobre finanças pessoais concentra-se em produtos bancários, taxas de juros e indicadores econômicos, deixando pouco espaço para iniciativas de base que atuam diretamente na raiz do problema da exclusão financeira: a falta de acesso a informação de qualidade, em linguagem acessível, para os grupos mais vulneráveis. Projetos universitários como este demonstram que soluções de baixo custo e alto impacto social muitas vezes nascem fora do radar da grande mídia, dependendo justamente da divulgação boca a boca e de reportagens locais para ganhar o alcance que o tema merece dentro e fora do Piauí. Documentar e compartilhar essas experiências, mesmo que de forma simples, ajuda outras universidades e coletivos de estudantes a enxergarem modelos replicáveis de extensão social com custo baixo e impacto real na vida de quem participa.

"Educação Financeira para Idosos: Vozes em Cena" é mais do que uma peça teatral: é uma proposta pedagógica que transforma o palco em sala de aula e o público em protagonista. Ao unir contabilidade, arte e cidadania, os estudantes da UESPI mostram que é possível ensinar e aprender de forma sensível, democrática e transformadora, abrindo caminho para que outras universidades brasileiras adaptem o modelo a suas próprias comunidades.

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